Avanços promissores na vacina para câncer de pele são revelados por laboratórios

A Moderna e a MSD divulgaram avanços significativos na fase 3 de seus ensaios clínicos, focando em uma vacina personalizada baseada em RNA mensageiro (mRNA) para tratar melanoma, que é a forma mais agressiva do câncer de pele. A pesquisa envolveu pacientes considerados de alto risco que haviam passado por cirurgia para remoção do tumor.

Conhecida como intismeran autogene, essa terapia foi projetada para ser individualizada. O tratamento é elaborado a partir das mutações exclusivas localizadas no tumor de cada paciente, visando estimular o sistema imunológico para que ele identifique e ataque as células malignas.

As empresas ressaltaram que os resultados obtidos marcam a primeira interpretação positiva em um estudo de fase 3 para uma terapia oncológica que utiliza mRNA, uma tecnologia que ganhou destaque global durante a pandemia de Covid-19.

Mecanismo da vacina personalizada

Ao contrário das vacinas convencionais, que visam prevenir doenças, as vacinas terapêuticas contra o câncer têm como objetivo ativar o sistema imunológico para lutar contra tumores já existentes e minimizar o risco de recidiva da doença.

Para desenvolver a intismeran autogene, os cientistas realizam o sequenciamento do tumor e identificam os neoantígenos, características únicas das células cancerosas. Essas informações são fundamentais para criar uma vacina adaptada a cada paciente.

A tecnologia de mRNA orienta as células do corpo a produzir proteínas que induzem uma resposta imunológica específica. Segundo informações da Moderna, o desenvolvimento completo da vacina leva cerca de seis semanas.

Participação de mais de mil pacientes no estudo

O ensaio clínico na fase 3 contou com 1.137 pacientes diagnosticados com melanoma em estágio avançado, todos submetidos à cirurgia. Os participantes receberam a vacina personalizada juntamente com o medicamento de imunoterapia Keytruda, desenvolvido pela MSD, ou apenas o Keytruda isoladamente.

Os dados indicam que os pacientes tratados com a combinação apresentaram um menor risco de recorrência do câncer ou disseminação da doença em comparação aos que receberam somente a imunoterapia.

Resultados anteriores, avaliados ao longo de cinco anos, mostraram uma diminuição de 49% no risco tanto de recidiva quanto de morte e uma redução de 59% na probabilidade de metástase à distância ou óbito entre aqueles que receberam a combinação dos tratamentos.

Próximas etapas rumo à aprovação

A Moderna e a MSD planejam apresentar os resultados completos em um congresso médico e iniciar os trâmites junto às agências regulatórias para solicitar autorização para o tratamento.

Considerado um dos tipos mais fatais de câncer cutâneo, o melanoma teve mais de 330 mil novos casos diagnosticados globalmente em 2022, conforme dados fornecidos pelas farmacêuticas, indicando um crescimento contínuo nas ocorrências.

Além disso, a tecnologia baseada em mRNA utilizada na elaboração da vacina personalizada está sendo explorada para outros tipos de câncer, podendo possibilitar tratamentos ainda mais ajustados às particularidades genéticas dos tumores.

Previous post Sábado decisivo: Brasil se une para atualizar vacinas de crianças e adolescentes
Next post Anvisa aprova pela primeira vez canetas para emagrecimento de fabricação nacional