SUS introduz avançado teste para diagnóstico precoce de câncer colorretal antes do aparecimento de sintomas
O Sistema Único de Saúde (SUS) adicionou um novo exame ao seu rol de serviços, focando na detecção precoce do câncer colorretal em indivíduos assintomáticos. O Teste Imunoquímico Fecal (FIT), que visa o rastreamento de homens e mulheres com idades entre 50 e 75 anos, foi oficialmente incorporado à tabela de procedimentos do Ministério da Saúde.
A nova norma foi divulgada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira, dia 10. A implementação do procedimento se dará imediatamente após a publicação, enquanto a inserção do teste nos sistemas do SUS está prevista para ocorrer no próximo mês.
Essa inclusão no SUS formaliza uma estratégia apresentada pelo Ministério da Saúde em maio, quando foi anunciada a adoção de um protocolo destinado a aumentar a detecção precoce do câncer intestinal.
O objetivo principal é detectar alterações intestinais antes que os sintomas apareçam, permitindo o encaminhamento adequado dos pacientes para investigações adicionais com base nos resultados obtidos.
O teste consiste na análise de sangue oculto nas fezes por meio de um método imunoquímico e deve ser realizado a cada dois anos pelos grupos definidos para rastreamento.
Exame procura sangue invisível nas fezes
O FIT utiliza uma pequena amostra de fezes para identificar quantidades mínimas de sangue, invisíveis a olho nu.
A presença desse sangue oculto pode estar associada a diversas condições do trato intestinal, incluindo pólipos, lesões precursoras e tumores. No entanto, um resultado positivo não indica necessariamente câncer e requer avaliação médica adicional.
Uma das inovações do FIT em comparação com métodos anteriores é o uso de anticorpos específicos que detectam hemoglobina humana.
Essa abordagem aumenta a precisão do teste e diminui as interferências relacionadas à dieta alimentar.
Os pacientes receberão um kit para coleta; utilizando uma haste apropriada, eles retirarão uma pequena amostra das fezes e colocarão em um tubo coletor que será enviado para análise laboratorial.
Esse procedimento estará disponível na modalidade ambulatorial e será considerado parte da atenção básica à saúde.
Sem dieta especial ou preparo intestinal
A praticidade é um aspecto fundamental para programas de rastreamento em larga escala.
Diferentemente da colonoscopia, o FIT não exige sedação, preparação intestinal ou procedimentos invasivos. Adicionalmente, não há necessidade de seguir uma dieta restritiva antes da coleta.
Entre as vantagens estão a possibilidade de realizar a coleta em casa, utilizar apenas uma amostra e a facilidade para repetição periódica dos testes.
Informações do Ministério da Saúde indicam que o teste possui sensibilidade variando entre 85% e 92% na detecção das alterações relevantes durante o rastreamento.
Por ser menos complexo e mais econômico, esse método permite realizar uma triagem inicial em um número maior de pessoas, reservando exames mais detalhados como a colonoscopia para casos onde houver necessidade clínica específica.
Essa estratégia segue padrões já adotados por programas internacionais que utilizam testes fecais regularmente em populações assintomáticas dentro de faixas etárias específicas.
Teste será feito a cada dois anos
A portaria especifica claramente que o novo exame tem como finalidade o “rastreamento bienal de pessoas assintomáticas”.
Isso implica que o procedimento foi integrado ao sistema com foco na prevenção e na detecção precoce entre pessoas entre 50 e 75 anos que não apresentem sinais ou sintomas da doença.
Além disso, essa determinação distingue claramente entre rastreamento e investigação diagnóstica.
Pacientes que apresentem sintomas compatíveis com doenças intestinais ou já estejam sob suspeita clínica de câncer devem ser avaliados imediatamente dentro do fluxo assistencial apropriado, sem aguardar pelo programa regular de rastreamento.
O Ministério da Saúde estima que mais de 40 milhões de brasileiros poderão ter acesso ampliado às estratégias voltadas para prevenção e identificação precoce do câncer colorretal devido à inclusão deste teste.
Detecção precoce é estratégia contra câncer de intestino
A ampliação das iniciativas de rastreamento se torna crucial diante da alta incidência do câncer colorretal no Brasil. Esta patologia figura entre os tipos tumorais mais comuns na população brasileira, excluindo-se os casos de câncer de pele não melanoma.
Os tumores colorretais se desenvolvem principalmente no cólon e no reto. Em muitos casos, esses tipos podem surgir oriundos de pólipos que evoluem lentamente ao longo dos anos.
O tempo transcorrido entre as alterações precursoras e o surgimento dos tumores é precisamente uma das razões pelas quais o rastreamento pode ser tão valioso.
Ao detectar sangue oculto em indivíduos aparentemente saudáveis, os serviços de saúde podem direcionar aqueles que necessitam passar por exames complementares antes que os sinais clínicos se tornem mais evidentes.
Diagnósticos precoces aumentam as chances terapêuticas disponíveis e estão associados a melhores resultados nos tratamentos realizados.
FIT não substitui investigação em quem apresenta sintomas
A introdução do FIT no SUS não implica que este exame substituirá outros métodos diagnósticos utilizados para investigar doenças intestinais.
Sua função é voltada ao rastreamento populacional. Quando um resultado sugere alteração, o paciente pode necessitar passar por investigações adicionais cuja necessidade será determinada pela avaliação médica competente.
Da mesma forma, pessoas com sintomas intestinais não devem considerar um eventual resultado negativo como suficiente para descartar problemas graves à saúde.
A portaria também altera a descrição do procedimento já existente relacionado à pesquisa de sangue oculto nas fezes na tabela do SUS. Com essa mudança, o procedimento agora abrange diferentes métodos e técnicas utilizadas no rastreamento do câncer colorretal. Para homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos, haverá um registro específico referente ao teste imunoquímico fecal.
Assim, essa incorporação cria uma ferramenta efetiva para rastreamentos periódicos na atenção básica à saúde e amplia as oportunidades do SUS para identificar indivíduos em maior risco antes que sinais clínicos relacionados ao câncer colorretal apareçam.
