Manual inovador da ONU Mulheres e Unicef visa salvaguardar adolescentes contra o ódio digital

[Foto: Ilustrativa]

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  • Alerta nas redes: A ONU Mulheres e o Unicef disponibilizaram um guia voltado para auxiliar famílias na proteção de jovens contra a “machosfera”, ambientes virtuais que promovem a misoginia.
  • Tática disfarçada: Estudos indicam que conteúdos de ódio chegam aos adolescentes de maneira sutil, disfarçados como vídeos de autoajuda e motivação.
  • Apoio prático: O manual “No Mesmo Time” fornece aos pais informações sobre algoritmos, sinais de alerta e orientações para fomentar diálogos sem julgamentos.

O crescimento de grupos extremistas nas plataformas digitais gerou preocupação global em relação ao comportamento de meninos e jovens na internet. Para abordar essa questão, a ONU Mulheres, em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), lançou um guia direcionado às famílias. A iniciativa visa informar pais e responsáveis sobre os perigos representados pela chamada “machosfera”, espaços digitais que divulgam uma visão distorcida da masculinidade e disseminam misoginia, aversão e hostilidade contra mulheres e meninas.

Intitulado No Mesmo Time: Guia de Conversa para Pais e Responsáveis, o material educativo explica detalhadamente o conceito da machosfera, seu funcionamento e os impactos prejudiciais que essas redes podem ter na vida dos jovens. Além de alertar sobre esses riscos, o guia oferece estratégias para promover um diálogo aberto dentro do ambiente familiar.

A tática da misoginia disfarçada

Um aspecto alarmante da machosfera diz respeito à maneira como ela atrai seu público. Um levantamento realizado pela Revista AzMina em parceria com o Núcleo Jornalismo (2025) e mencionado pelas Nações Unidas revela que a misoginia não se apresenta claramente desde o início. Essa ideologia infiltra-se gradualmente nas redes sociais dos adolescentes, usando uma abordagem sutil sob a forma de conteúdos motivacionais e de autoajuda.

Conteúdos do guia

O guia foi elaborado para funcionar como um recurso prático e acessível no combate à intolerância de gênero. Entre os principais tópicos abordados, destaca-se:

  • Uma explicação abrangente sobre os principais grupos e termos associados à machosfera, esclarecendo como os algoritmos das redes sociais distribuem esse tipo de conteúdo entre os jovens;
  • Sinais indicativos de mudanças no comportamento e na linguagem dos adolescentes;
  • Dicas práticas para iniciar conversas, incluindo perguntas que incentivam o pensamento crítico sobre o consumo midiático (adaptadas por faixa etária);
  • Orientações específicas para apoiar meninas expostas a conteúdos misóginos;
  • Caminhos para integrar discussões sobre igualdade de gênero no cotidiano familiar.

A construção da identidade

A fase em que os jovens têm acesso a esses ambientes virtuais coincide com um período crucial no desenvolvimento pessoal. Joaquin Gonzalez-Aleman, representante do Unicef no Brasil, destaca a importância de uma rede sólida de apoio.

Ele enfatiza que é essencial que famílias, escolas e comunidades desempenhem um papel ativo ao fornecer referências positivas sobre masculinidade durante esse estágio em que os adolescentes estão moldando suas identidades. Essa colaboração é fundamental para evitar que os jovens sejam influenciados por conteúdos repletos de estereótipos e intolerância.

*Com informações do Unicef

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