Dois terços dos suplementos analisados pela Anvisa têm falhas; saiba quais são os riscos.

Recente levantamento realizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária revelou que dois em cada três suplementos alimentares apresentam irregularidades, como falhas em ingredientes, dosagens, validade e ausência de testes de pureza e estabilidade. Essas etapas são essenciais para garantir a segurança do produto para consumo.

O mercado de suplementos alimentares movimenta bilhões de reais no Brasil, impulsionado por promessas de bem-estar, melhor performance física e emagrecimento rápido. No entanto, a taxa de reprovação de 65% evidencia a fragilidade da fiscalização sanitária no país. A Anvisa decidiu prorrogar até setembro de 2026 o prazo para que os fabricantes se adequem às normas de segurança originalmente previstas para este ano.

De acordo com a gerente de regularização de alimentos da Anvisa, Patrícia Ferrari Andreotti, a maioria dos produtos avaliados apresentou falhas, indicando que o setor ainda não atende ao padrão de segurança exigido. O aumento no consumo de suplementos sem uma padronização adequada e com fiscalização insuficiente tem gerado preocupação entre especialistas.

Irregularidades encontradas vão desde a falta de estudos de estabilidade até o uso de ingredientes proibidos e rótulos com alegações terapêuticas falsas. Casos graves levaram à interdição de marcas que continham substâncias farmacológicas não declaradas e eram comercializadas como produtos naturais.

O uso indiscriminado de suplementos sem acompanhamento profissional pode acarretar em sérios problemas de saúde, como intoxicação hepática, sobrecarga renal, aumento da pressão arterial e arritmias. Especialistas alertam que é comum encontrar pacientes consumindo vários produtos simultaneamente, adquiridos em academias ou sites estrangeiros sem registro.

Para identificar suplementos regularizados, é importante verificar o número de notificação da Anvisa no rótulo, desconfiar de promessas milagrosas, verificar CNPJ e nome do fabricante, consultar o produto no site da Anvisa e comprar apenas em estabelecimentos que emitam nota fiscal.

A Anvisa ressalta que a prorrogação do prazo não suspende a fiscalização, que continua ativa em inspeções e monitoramento. A agência orienta os consumidores a desconfiarem de produtos que prometam resultados rápidos ou curas milagrosas. A indústria e os farmacêuticos têm opiniões divergentes sobre a prorrogação, com associações pedindo isonomia e criticando a demora na aplicação das normas.

Uma preocupação adicional é a venda de suplementos falsificados na internet, que representam um risco significativo à saúde dos consumidores. Esses produtos são difíceis de rastrear e estão cada vez mais presentes em marketplaces e redes sociais, dificultando a punição dos responsáveis.

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