Dengue registra queda de 75% no Brasil e vacinação é intensificada, informa Ministério da Saúde
Recentemente, o Brasil anunciou uma considerável diminuição no número de casos de dengue, conforme informações apresentadas pelo Ministério da Saúde durante a 18ª Expoepi, evento dedicado à vigilância em saúde. O relatório revela que as ocorrências da doença caíram em 75% quando comparadas ao mesmo período do ano anterior, evidenciando uma mudança significativa no contexto epidemiológico nacional.
A queda nos registros já vinha sendo notada desde 2025, quando foram contabilizados 1,7 milhão de casos, um número substancialmente menor do que os 6,6 milhões registrados em 2024. Dados recentes indicam que entre o início de janeiro e o dia 11 de abril deste ano, houve 227,5 mil casos prováveis, em contraste com os 916,4 mil do mesmo período do ano passado.
“Embora tenhamos avançado bastante, a dengue continua sendo um dos maiores desafios que enfrentamos. Existe uma grande expectativa em relação ao desenvolvimento de vacinas e novas tecnologias. Estamos comprometidos em ampliar nossas ferramentas de prevenção e controle”, declarou Alexandre Padilha, ministro da Saúde.
Medidas de controle e monitoramento
A queda no número de casos pode ser atribuída a uma série de ações implementadas pelo governo federal junto com estados e municípios. Dentre essas medidas está o uso de ovitrampas, armadilhas projetadas para monitorar e controlar a população do mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão da doença.
Além disso, outras estratégias estão em vigor, como a liberação de insetos estéreis irradiados para reduzir a reprodução do vetor e a expansão do método Wolbachia, que utiliza uma bactéria para diminuir a capacidade de transmissão dos vírus da dengue, Zika e chikungunya.
A vacinação também ocupa um papel central nessa estratégia. Mais de 1,4 milhão de doses já foram administradas em crianças e adolescentes com idades entre 10 e 14 anos em todo o território nacional.
Desenvolvimento da vacina nacional
Um dos principais avanços no combate à dengue é a vacina criada pelo Instituto Butantan. Conhecida como Butantan-DV, essa vacina está sendo testada em cidades-piloto e já conta com mais de 300 mil doses aplicadas em locais como Botucatu, Nova Lima e Maranguape.
A vacina se destaca por oferecer proteção contra os quatro sorotipos do vírus da dengue — DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4 — além de necessitar apenas uma única dose para imunização, diferentemente dos outros imunizantes disponíveis atualmente.
Pesquisas apontam que os níveis de proteção são de 89,5% contra o DENV-1 e 69,6% contra o DENV-2, ambos os quais são amplamente circulantes no Brasil. Essa tecnologia usa vírus atenuados para estimular a resposta imunológica sem provocar a doença e apresenta baixa incidência de efeitos colaterais.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária deve formalizar um acordo com o Instituto Butantan para garantir o monitoramento contínuo dos estudos relacionados à vacina.
Vacinas disponíveis e perspectivas futuras
No momento, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza a vacina Qdenga desenvolvida pela farmacêutica Takeda. Essa vacina foi aprovada em 2023 para indivíduos entre 4 e 60 anos e exige duas doses com um intervalo de 90 dias entre elas.
Ainda que tenha havido uma redução expressiva nos casos da doença, especialistas alertam que a dengue continua sendo um desafio significativo no país, especialmente durante períodos em que há maior circulação do mosquito transmissor.
A interação entre vacinação eficaz, inovações tecnológicas e ações vigilantes é considerada essencial para assegurar a continuidade dessa tendência decrescente e prevenir novos surtos nos anos vindouros.
