Cerca de 10% da população pode não reagir a medicamentos como o Ozempic

Uma investigação recente realizada por cientistas da Stanford Medicine revelou que fatores genéticos podem impactar a eficácia de medicamentos frequentemente utilizados no tratamento do diabetes tipo 2, como Ozempic e Mounjaro. O estudo indica que aproximadamente 10% da população pode apresentar uma resposta diminuída a esses fármacos.

Essas medicações são classificadas como agonistas do receptor de GLP-1, que atuam simulando um hormônio responsável pela regulação dos níveis de glicose no sangue. No entanto, variantes genéticas específicas podem levar a um fenômeno chamado resistência ao GLP-1, onde o hormônio está presente em quantidades elevadas, mas não exerce sua função de forma eficaz.

Fenômeno ainda sem explicação

Os pesquisadores observaram que, mesmo com níveis elevados de GLP-1 no organismo, pacientes portadores de determinadas variantes não apresentam a redução esperada nos níveis de glicose. O mecanismo por trás desse fenômeno ainda carece de esclarecimento completo.

A professora Anna Gloyn, uma das responsáveis pelo estudo, comentou que em ensaios clínicos, pacientes com essas variantes demonstraram uma menor redução dos níveis glicêmicos após seis meses de tratamento, o que pode levar os médicos a reconsiderar suas opções terapêuticas.

Impacto no tratamento do diabetes

O estudo, publicado na revista Genome Medicine, avaliou dados provenientes de diversos ensaios clínicos e constatou que indivíduos com variantes do gene PAM apresentaram menor eficácia na diminuição da hemoglobina glicada, um marcador crucial no controle do diabetes.

Cerca de 25% dos participantes sem a variante conseguiram atingir as metas de controle após seis meses; entretanto, esse número foi consideravelmente inferior entre aqueles com as alterações genéticas específicas. Em contrapartida, não houve diferenças significativas na resposta a outros medicamentos para diabetes como metformina e sulfonilureias.

Resultados confirmados em laboratório

Para corroborar suas descobertas, os pesquisadores conduziram experimentos com camundongos geneticamente modificados. Os resultados mostraram um padrão semelhante ao observado nos humanos: níveis altos de GLP-1 sem uma melhora expressiva no controle da glicemia.

Os testes também revelaram mudanças no esvaziamento gástrico e uma resposta reduzida do organismo ao hormônio, reforçando a hipótese de resistência ao GLP-1.

Possíveis implicações clínicas

A pesquisa sugere que a reação aos medicamentos pode variar conforme o perfil genético dos pacientes, abrindo espaço para tratamentos mais personalizados para o diabetes.

No entanto, ainda não se sabe se as variantes genéticas também influenciam a perda de peso relacionada a medicamentos como Wegovy, que operam por meio do mesmo mecanismo.

Os cientistas ressaltam que identificar previamente pacientes com menor chance de resposta pode facilitar a escolha de terapias mais efetivas desde o início do tratamento. Contudo, o mecanismo exato da resistência permanece desconhecido e continua sendo objeto de novas investigações.

A descoberta destaca o potencial da medicina personalizada, onde as terapias são ajustadas às características individuais dos pacientes, levando em consideração aspectos genéticos.

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