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Indicação de aliado de Capitão Wagner para gestão de Sarto gera embates na Câmara de Fortaleza

Indicação de aliado de Capitão Wagner para gestão de Sarto gera embates na Câmara de Fortaleza

Vereadores ex-aliados do atual prefeito repercutiram o assunto, mas foram rebatidos por filho de Gomes de Matos

A entrada do ex-deputado federal Raimundo Gomes de Matos (PL), que é aliado do Capitão Wagner (União), na gestão do prefeito José Sarto (PDT) em Fortaleza gerou discussão e embates entre vereadores durante sessão desta quinta-feira (23) na Câmara Municipal (CMFor).

Histórico opositor do governo, o ex-deputado federal foi convidado para assumir a Fundação da Criança e da Família Cidadã (Funci), em um movimento de aproximação de antigos adversários.

A notícia repercutiu nas redes sociais ainda nesta quarta-feira (22), quando o vereador Júlio Brizzi (PDT), que deixou a base do prefeito na Câmara, chamou de “marmota” a movimentação e teve postagem compartilhada por Léo Couto (PSB), outro parlamentar ex-aliado de Sarto.

“Surreal! O candidato a vice-governador do Capitão Wagner em 2022 foi nomeado hoje na equipe do prefeito Sarto (PDT)! Ele é eleitor e filiado ao partido do Bolsonaro (PL)”, escreveu.

DISCUSSÃO EM PLENÁRIO
A publicação gerou reação do vereador Pedro Gomes de Matos (PL), que era suplente e recentemente assumiu vaga definitiva a Casa. Ele é filho de Raimundo Gomes e, nesta quinta, usou a tribuna para defender a indicação do pai no órgão de prefeitura.

“Tentam distorcer a política séria que o meu pai faz, tentando manobrar a narrativa da sua nomeação, querendo vincular ao Bolsonaro. Marmota é fazer coisa errada na administração pública, é responder a processos”, rebateu o parlamentar.

Ele também fez críticas aos vereadores que recentemente deixaram a base do prefeito e formaram um grupo denominado “independente”, uma vez que, assumidamente, também não compõe a oposição à gestão.

“Não temos que ficar fingindo sermos independentes e, no final das contas, estar puxando o saco do governador para depois estar vinculado e ter um partido para se eleger”, disse.

Na tentativa de apaziguar o cenário após ter feito a postagem nas redes sociais, Júlio Brizzi utilizou a tribuna da Câmara para tratar do assunto. 

“Ele (Raimundo Gomes) obviamente reúne a qualidade técnica, mas o movimento de aproximação com o grupo do Capitão Wagner está cada vez mais claro.  Nunca vim aqui falar pessoalmente de nenhum colega, eu falo do assunto, tenho esse cuidado. O movimento da atual gestão está indo para a direita”, disse Brizzi.

Léo Couto, por sua vez, usou o tempo mais próximo ao final da sessão para responder à provocação feita por Pedro Matos no início dos trabalhos.

“Eu não posso admitir  que eu seja chamado de puxa saco e que esteja atrás de partido para me eleger, até porque eu não sou suplente. O meu partido faz parte do Governo Federal, e tem o vice-presidente. Acho que o vereador Pedro foi infeliz na colocação”, destacou. 

Quem também falou sobre a aproximação de Raimundo Gomes na Prefeitura de Fortaleza foi o deputado estadual Carmelo Neto, parlamentar mais votado no ano passado e que também é um dos quadros do PL.

“Meu posicionamento é de ser oposição, minhas fiscalizações continuarão a ocorrer, até com mais intensidade”, salientou.

Candidato a vice-governador na chapa de Capitão Wagner em 2022, Raimundo Gomes declarou ao colunista Wagner Mendes que conversou com o atual secretário de saúde de Maracanaú e com dirigentes do PL antes de aceitar o convite, e que foi “surpreendido” com o contato de assessores da Prefeitura para assumir o cargo.

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