Queda na participação americana nas exportações do Brasil, enquanto a China ganha espaço crescente

[Foto: Richard Souza / FN]

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No primeiro semestre de 2026, a participação dos Estados Unidos nas exportações do Brasil caiu para o nível mais baixo desde 1997. Em contrapartida, a China consolidou-se como o principal parceiro comercial do país sul-americano. Esses dados foram apresentados pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), em meio a debates em Washington sobre uma nova rodada de tarifas sobre produtos brasileiros.

Entre janeiro e junho deste ano, os EUA representaram apenas 9,4% das exportações brasileiras, marcando uma diminuição em relação aos 12,1% registrados no mesmo intervalo em 2025. Por outro lado, a fatia da China aumentou de 28,9% para impressionantes 31,5%, correspondendo a quase um terço das vendas totais do Brasil ao exterior.

As exportações brasileiras direcionadas aos Estados Unidos totalizaram US$ 17,4 bilhões no primeiro semestre de 2026, refletindo uma queda de 13% em comparação com o ano anterior. No mesmo período, as vendas destinadas à China apresentaram um crescimento robusto de 21,9%.

A diminuição nas trocas comerciais com os Estados Unidos também resultou em uma redução de 12,8% no fluxo comercial global entre os dois países, que alcançou US$ 36,4 bilhões. Segundo a Amcham Brasil, produtos que estão sujeitos às tarifas norte-americanas sofreram uma queda de vendas de até 20,5% nos últimos doze meses até junho.

China se torna o principal parceiro comercial em vários estados brasileiros

Dados da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) revelam que a China se tornou o maior parceiro comercial em quatorze estados brasileiros. Há duas décadas, a situação era oposta, com dezessete estados tendo os Estados Unidos como seu principal destino exportador — número que agora caiu para apenas seis.

Em resposta às mudanças nas dinâmicas do comércio exterior, muitos exportadores brasileiros estão explorando novos mercados. De acordo com a ApexBrasil, cerca de 72% das empresas apoiadas pela agência iniciaram atividades em pelo menos um novo mercado desde a implementação das tarifas norte-americanas.

Produtores de frutas estão direcionando suas vendas para a Índia e nações do Sudeste Asiático. Ao mesmo tempo, os exportadores de café aumentaram seus embarques para a Europa. A Alemanha já superou os Estados Unidos como o principal comprador do café brasileiro segundo informações do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

Tarifas americanas e novas investigações comerciais

Os dados foram divulgados um ano após o anúncio da tarifa de importação de 50% imposta pelo então presidente dos EUA Donald Trump sobre produtos brasileiros em julho de 2025. Uma das justificativas citadas foi o processo judicial envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em fevereiro deste ano, as tarifas originais foram anuladas pela Suprema Corte dos Estados Unidos. Washington então estabeleceu uma tarifa global fixa de 10%, porém ainda permanecem válidas tarifas setoriais que podem alcançar até os 50% sobre aço, alumínio e veículos.

Recentemente, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) promoveu audiências públicas para discutir uma proposta que visa implementar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.

Essa proposta é fruto de uma investigação fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio americana de1974 e analisa várias áreas incluindo comércio digital e desmatamento.

Além disso, uma investigação acerca do trabalho forçado gerou a sugestão de se aplicar uma tarifa adicional de 12,5%, apresentada em junho passado. A decisão final ficará sob responsabilidade do presidente Donald Trump e deve ser recomendada até o dia quinze deste mês.

Reações políticas e posicionamentos empresariais

Durante as audiências públicas mencionadas anteriormente, Flávio Bolsonaro — senador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro — expressou sua oposição à imposição das novas tarifas e criticou a aproximação crescente entre Brasília e Pequim.

O senador solicitou ao governo dos EUA que reconsiderasse a tarifa adicional proposta e medidas relacionadas ao sistema brasileiro Pix. Além disso, ele sugeriu um mecanismo bilateral para negociações comerciais e um possível acordo de livre comércio entre países da América.

Empresas americanas também manifestaram sua resistência às novas tarifas. A Coca-Cola pediu isenções para insumos como laranja e limão devido à redução na produção destes itens na Flórida. A Tesla requereu que componentes brasileiros usados na sua produção nos EUA fossem isentos das novas taxas até que haja um aumento na oferta interna. Por sua vez, o eBay argumentou que taxar produtos usados prejudicaria mais os revendedores do que os fabricantes alvos da investigação.

O governo brasileiro decidiu não participar oficialmente das audiências públicas enviando apenas representantes da embaixada brasileira nos Estados Unidos. Em resposta ao USTR por escrito, Mauro Vieira — ministro das Relações Exteriores — destacou que não foram apresentadas evidências concretas sobre práticas discriminatórias por parte do Brasil.

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Com informações adicionais disponíveis.

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