COP30: Duas em cada três cidades do Brasil não estão prontas para enfrentar ondas de calor intenso

[Foto: Ilustrativa / LensGO]


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  • Despreparo nas cidades: 66% dos municípios brasileiros avaliados ainda não possuem planos ou estão em estágio inicial de desenvolvimento de estratégias para enfrentar o calor.
  • Perigo mortal: Entre 2000 e 2020, ondas de calor resultaram em aproximadamente 50 mil mortes no Brasil, superando os óbitos causados por deslizamentos e enchentes.
  • Um alerta iminente: A possível ocorrência de um “Super El Niño” no segundo semestre de 2026 torna essencial a implementação de políticas de adaptação climática e resfriamento.

Embora as altas temperaturas causem cerca de meio milhão de mortes anualmente em todo o mundo, a maioria das cidades brasileiras ainda carece de planos adequados para lidar com essa situação. Um estudo recente, divulgado na última quarta-feira (03/06) pela presidência brasileira da COP30 junto ao Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), revela que 66% dos municípios do país nem sequer começaram a elaborar estratégias eficazes contra o calor extremo.

A pesquisa, que abrangeu 53 cidades, expõe uma contradição alarmante: apesar de 93% dos gestores municipais reconhecerem o calor extremo como um problema significativo e 68% apontarem isso como uma das três principais questões locais, essa consciência ainda não se traduziu em ações concretas para proteger a população.

Os Efeitos da “Catástrofe a Conta-Gotas”

O risco associado ao calor extremo vai além das temperaturas elevadas pontuais. Os pesquisadores alertam sobre o fenômeno conhecido como “efeito escada”, que acontece quando as temperaturas durante o dia não diminuem à noite por vários dias consecutivos. Esse acúmulo impede que haja resfriamento noturno, prejudica a qualidade do sono e pode causar colapsos nas infraestruturas de água e energia.

Historicamente, esse fenômeno já demonstrou seu potencial letal. No Brasil, entre 2000 e 2020, as ondas de calor foram responsáveis por aproximadamente 50 mil mortes nas áreas metropolitanas, número que ultrapassa as fatalidades provocadas por deslizamentos e enchentes nesse mesmo período.

Ana Toni, CEO da COP30, enfatiza a gravidade da situação atual e ressalta a necessidade de um esforço colaborativo entre diferentes setores.

“O calor extremo representa uma catástrofe contínua que torna cidades e comunidades inabitáveis, levando bilhões a modificar suas rotinas. Isso impacta estudantes que perdem aulas, atletas que precisam alterar seus treinos e militares que são forçados a mudar suas atividades”, afirmou.

Limitações nas Ações e Dependência Financeira

Atualmente, os esforços para combater o calor nos municípios brasileiros enfrentam sérias insuficiências tanto técnicas quanto financeiras. O estudo apresentou dados preocupantes:

  • 75% das cidades não utilizam dados estruturados para embasar suas decisões.
  • 85% dependem de recursos externos para implementar medidas adaptativas.
  • Apenas 42% têm mapeamentos geográficos relacionados aos riscos climáticos.

Quando há iniciativas em andamento, elas se concentram predominantemente em soluções baseadas na natureza (como plantio de árvores e construção de parques), adotadas em 77% dos municípios. Em contraste, intervenções para resfriamento passivo na infraestrutura — como ventilação cruzada e pavimentos permeáveis — estão presentes em apenas 21% ou menos das localidades analisadas. Ademais, mais de 80% dos municípios não incorporam critérios sustentáveis nas compras públicas.

Iniciativas contra o Calor e o Programa 50@50

Visando reverter essa situação alarmante, surgiu o Mutirão Contra o Calor Extremo (Beat the Heat), que se propõe a apoiar as prefeituras com diagnósticos detalhados e estratégias financeiras. Criado em 2025 como parte da Cool Coalition, esse projeto abrange 258 cidades ao redor do mundo (incluindo 105 no Brasil). O objetivo é que nos próximos 12 a 18 meses pelo menos 51% dessas cidades implementem políticas municipais abrangentes, beneficiando diretamente cerca de 7 milhões de brasileiros.

Em uma perspectiva global e em preparação para o Dia Mundial do Meio Ambiente, foi lançada também a iniciativa 50@50, que reúne cidades do mundo todo — incluindo Campinas, Teresina, Fortaleza, Belo Horizonte, Paris e Melbourne — para testar a resiliência dos seus sistemas urbanos. As estratégias discutidas incluem desde criação de “refúgios climáticos” até centros destinados ao resfriamento e sistemas de alerta precoce.

“O calor extremo já está alterando o cotidiano nas cidades globalmente; elas terão que enfrentar níveis alarmantes de temperatura sob praticamente todos os cenários climáticos possíveis. Isso representa um risco específico para pequenos agricultores e comunidades vulneráveis”, destaca Inger Andersen, diretora-executiva do Pnuma. “A iniciativa 50@50 visa ajudar lideranças locais a agir com agilidade ao compartilhar soluções práticas que protegiam cidadãos, reduzem desigualdades sociais e fortalecem a resiliência urbana”.

Ameaça Imediata do “Super El Niño”

A urgência dessa situação se intensifica com as previsões realizadas pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Existe uma possibilidade real da formação de um “Super El Niño” no segundo semestre de 2026. Tal fenômeno pode exacerbá-las secas severas e incêndios nas regiões Norte e Nordeste do Brasil; provocar chuvas extremas no Sul; além disso aumentar significativamente a frequência das ondas de calor no Centro do país.

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Resumo Rápido: Ameaça do Calor Extremo no Brasil
Q:O que caracteriza o chamado calor extremo?
R:Nao é apenas um dia excessivamente quente. Refere-se ao “efeito escada”: quando após dois ou mais dias consecutivos as temperaturas diurnas não se dissipam à noite. Isso impede que o corpo humano consiga se recuperar adequadamente.

Q:Qual é o impacto letal desse fenômeno?
R:Mundialmente causa aproximadamente meio milhão de mortes anualmente. No Brasil especificamente entre os anos de2000e2020 , as ondasdecalor levaram cerca detrinta mil vidas nas áreas metropolitanas superando assimfatalidades causadas pela chuva intensa ou deslizamentos também nesse mesmo período.

Q:As cidades brasileiras estãopreparadaspara enfrentar esse desafio?

R:Não estão preparadas.Nos últimos dados publicados66 %das cidadesnão iniciaramouestãoapenascomeçandoa formulação deplano estratégico.Alémdisso ,75 %não utilizamdados estruturados paraseguirdecisões , enquanto85 %dependem demontantesexternosparaaplicarmedidas necessárias.

Q:Oqueéainiciativa50 @50?

R:LançadapeloPnuma , reunecidadesdo mundointeiro(incluindoCampinas ,FortalezaeTeresina )para testarecompartilhar soluções práticas.A proposta é criar“refúgios climáticos” , aumentar áreasverdes ecorrigirprojetosurbanos voltadospararesfriamento passivo.

Q:Porquessão necessárias ações imediatas neste momento?

R:O Cemaden aponta para uma possível formação do“Super El Niño”na segunda metade do ano denovo36 ,o que poderá aumentar drasticamente os efeitosde secas severas eincêndios nas regiõesNorte/Nordestee elevar consideravelmente asondasdecalor mortaisnoCentro doBrasil.

*Com informações do Pnuma

O post COP30: Cidades brasileiras carecem urgentemente de estratégias contra calor extremo apareceu primeiro em Expressa TV BR.

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