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Brasil espera produzir 66 milhões de sacas de café até 2026

Brasil espera produzir 66 milhões de sacas de café até 2026

Rendimento por hectare das lavouras brasileiras é menos da metade do registrado na China; inovação tecnológica é urgente.

[Foto: Ilustrativa / LensGO]


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O Brasil continua a liderar o mercado global de café, mas o setor enfrenta um momento decisivo de reflexão. Durante o painel intitulado “Mercado brasileiro do café: perspectivas, desafios e oportunidades”, organizado pela Rede de Socioeconomia da Embrapa, especialistas enfatizaram que para manter essa posição de destaque é necessário mudar a abordagem: é fundamental passar do foco na quantidade para um enfoque em qualidade e tecnologia.

A pesquisadora Rita de Cássia Milagres Teixeira Vieira compartilhou estatísticas que evidenciam a força do setor: a produção mundial aumentou de 8,5 milhões para 11,6 milhões de toneladas entre 2010 e 2024. Para 2026, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê uma colheita brasileira de 66 milhões de sacas. Contudo, foi levantada uma preocupação sobre a eficiência das plantações brasileiras.

Desafios na produtividade

Apesar de ser o maior produtor mundial, o rendimento médio do Brasil fica aquém em comparação aos novos concorrentes. Enquanto a China alcança uma média de 3.744 kg/ha e o Vietnã supera os 3 mil kg/ha, o Brasil apresenta uma média de apenas 1.752 kg/ha.

Para inverter esse quadro, Rita de Cássia sugere que o país precisa investir em inovação tecnológica e adaptação genética. Uma das estratégias principais é a promoção do café canéfora, que se mostra mais produtivo e resistente às mudanças climáticas. “Enquanto o arábica, que é mais tradicional e cultivado em altitudes elevadas, ainda domina nossa produção nacional, o canéfora está ganhando terreno especialmente em regiões com climas mais quentes”, explicou Rita.

Captura de valor agregado

Um dos tópicos centrais debatidos foi a dificuldade enfrentada pelo Brasil em agregar valor além da simples exportação de commodities. O estudo revelou que o café brasileiro é vendido internacionalmente por cerca de US$ 1,58 por quilo, enquanto países europeus como a Suíça conseguem comercializá-lo por preços até 22 vezes maiores. “A Suíça chega a valores de até US$ 34,60 por quilo”, comparou a especialista.

“Temos habilidade com commodities, mas carecemos de capacidade para agregar valor”, ressaltou Rita. Ela relembrou que no passado o Brasil exportava grãos para importar cápsulas industrializadas. A reformulação dessa lógica através de políticas públicas atraiu fábricas nacionais e transformou o país em um exportador do produto final. Agora, o foco deve ser aumentar a participação nos mercados de cafés torrados, moídos e solúveis, explorando oportunidades em países emergentes como China, Coreia do Sul e Turquia.

Desafios logísticos e geopolíticos

Marcos Matos, diretor executivo do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), apresentou uma perspectiva sobre o mercado internacional e apontou que problemas recentes em portos resultaram em perdas significativas para o país, estimadas em cerca de US$ 2,6 bilhões devido à não realização das exportações.

Diante da instabilidade atual, Matos alertou sobre os riscos que o café brasileiro corre ao perder espaço nas misturas globais. “O maior prejuízo é não estar presente nos blends”, afirmou ele, sublinhando que recuperar a confiança da indústria internacional requer investimentos consideráveis.

Perspectivas digitais e sustentáveis

Silvio Farnese, representante do Ministério da Agricultura e Pecuária, destacou a relevância das cooperativas na implementação tecnológica. Ele enfatizou que os produtores precisam estar preparados financeiramente e gerenciar riscos adequadamente. “Os agricultores devem entender as dinâmicas do mercado além da mera produção”, enfatizou Farnese.

A adoção de tecnologias como inteligência artificial, blockchain para rastreabilidade e bioinsumos são vistas como essenciais para transformar as vantagens naturais do Brasil em lucros efetivos. Conforme Rita de Cássia mencionou: “O Brasil possui todas as condições necessárias” em termos de sustentabilidade; no entanto, é crucial converter esse diferencial em uma vantagem competitiva palpável no mercado global.

Qual a previsão para a produção até 2026? Estima-se cerca de 66 milhões de sacas conforme dados da Conab.
Como se compara a produtividade do Brasil com seus concorrentes? A média brasileira é de 1.752 kg/ha; já a China chega a 3.744 kg/ha e o Vietnã ultrapassa os 3.000 kg/ha.
Qual é a discrepância entre os preços do café brasileiro e suíço? O café nacional é exportado por US$ 1,58/kg enquanto os preços na Suíça podem atingir até US$ 34,60/kg devido à agregação de valor.
Qual é o impacto econômico do café na balança comercial? Em 2025, contribuiu com US$ 15 bilhões para um superávit na balança comercial agrícola.
Quais estados se destacam na produção nacional? A região Sudeste responde por 84,5% da produção total; Minas Gerais lidera com quase metade desse total seguido pelo Espírito Santo, São Paulo e Bahia.

*Com informações da Embrapa

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