Suspeito pelo homicídio foi julgado e cumpre pena no Complexo Penitenciário de Pedrinhas. O G1 monitora 13 crimes que foram registrados em 2017 em todo o Maranhão.

O homicídio de Nilo Vitório Saraiva Pontes, de 36 anos, é o único que foi julgado dos casos que são acompanhados pelo Monitor da Violência no Maranhão — Foto: Reprodução/TV Mirante
O homicídio de Nilo Vitório Saraiva Pontes, de 36 anos, é o único que foi julgado dos casos que são acompanhados pelo Monitor da Violência no Maranhão — Foto: Reprodução/TV Mirante

Dos 13 crimes que são acompanhados pelo G1 no Monitor da Violência, apenas um teve o inquérito concluído pela Polícia Civil e foi julgado pelo Tribunal de Justiça do Maranhão. O caso é de Nilo Vitório Saraiva Pontes, de 36 anos, que foi morto a tiros enquanto trabalhava como segurança em um show na capital maranhense.

O crime foi registrado em 27 de agosto de 2017, no Hotel Pestana em São Luís. De acordo com a Superintendência de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP), a vítima teria expulsado uma mulher do evento por suspeita de furto de celulares, quando foi surpreendido pelos disparos de arma de fogo.

Lucelmo Farias Gomes, de 31 anos, foi identificado como principal suspeito logo após o crime. Segundo as investigações da Polícia Civil ele estava acompanhado da mulher que foi expulsa pela vítima do show. Após ter sido preso, foi constatado que ele já havia três mandados de prisão por homicídio.

Lucelmo Farias Gomes foi apontado como suspeito de ter assassinado Nilo Vitório a tiros em show na capital maranhense. — Foto: Divulgação/Polícia Civil
Lucelmo Farias Gomes foi apontado como suspeito de ter assassinado Nilo Vitório a tiros em show na capital maranhense. — Foto: Divulgação/Polícia Civil

O inquérito foi concluído pela Delegacia de Homicídios e o caso denunciado à Justiça do Maranhão. Um ano após o crime, Lucelmo foi julgado pela 1ª Vara do Tribunal do Júri na capital e condenado a 15 anos de prisão em regime fechado, tendo sua pena reduzida para 13 anos de reclusão, por ter confessado ao júri que foi o autor do homicídio.

De acordo com a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP), o acusado está preso no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, cumprindo pela pelo homicídio de Nilo Vitório e por outro crime que não foi informado.

Mortes violentas no Maranhão

G1 acompanha 13 crimes que foram registrados em todo o estado entre os dias 22 e 27 de agosto de 2017 em sete municípios maranhenses. A maioria, sendo quatro, aconteceram em São Luís e três na Região Metropolitana, nas cidades de Paço do Lumiar, São José de Ribamar e Rosário.

Outros três casos foram registrados em Itapecuru-Mirim, um em São João Batista e dois em Turilândia. Nove casos ainda estão sendo investigados pela Polícia Civil e dois foram concluídos e aguardam julgamento na Justiça do Maranhão. Apenas um caso de uma mulher, foi encerrado por se tratar de um suicídio.

Monitor da Violência

Das 1.195 mortes violentas registradas de 21 a 27 de agosto de 2017, quase a metade segue em investigação na polícia. Só um em cada cinco casos teve uma prisão efetuada, e menos de 5% já têm um condenado pelo crime. É o que revela um novo levantamento exclusivo feito pelo G1.

O levantamento também mostra que os 569 inquéritos continuam em andamento e menos da metade dos crimes teve seus autores identificados. Menos da metade possui um autor identificado e um em cada cinco teve algum suspeito preso. O caso do maranhense Nilo Vitório Saraiva Pontes é um dos 68 em todo o Brasil que já foram julgados.

595 casos foram concluídos ou tiveram seus inquéritos arquivados, e desse número, 105 não tiveram uma solução. Ainda segundo o relatório, o número de inquéritos com autores identificados aumentou desde o último balanço, de 469 para 492, o que representa 22%.

Das 431 pessoas presas por suspeita de participação nos crimes, 129 delas já foram soltas e apenas 24% dos casos possui autores sendo processados na Justiça. O levantamento também mostra que diminuiu de 104 para 99 o número de crimes que foram classificados como suicídio.

Mais de 230 jornalistas espalhados pelas redações do G1 no país acompanham esses casos há dois anos, quando uma mega mobilização foi feita para contar as histórias de todas as vítimas de crimes violentos ocorridos durante uma semana no Brasil. O trabalho, inédito, marcou o início de uma parceria com o Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.