Brasil arrisca ter fuga de capitais com crise fiscal, diz ex-presidente do Banco Central

(Bloomberg) — O Brasil corre o risco de uma fuga de capitais caso a crise fiscal se agrave, diz Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central e sócio-diretor da Tendências Consultoria. “A ideia de uma fuga de capital, inclusive de residentes, algo que historicamente o Brasil tem evitado, não pode ser descartada.”

Com a Selic em 2%, as taxas de juros no país não são mais tão atrativas e não ajudarão a manter o capital no país caso o investidor duvide da sustentabilidade da dívida, afirma Loyola, em entrevista.

“A situação é muito incerta e delicada, pois as perspectivas fiscais são muito negativas diante do crescimento da dívida e das despesas obrigatórias.”

O rompimento do teto de gastos ou uma eventual saída do governo do ministro da Economia, Paulo Guedes, são fatores que poderiam levar a uma deterioração mais grave do cenário, segundo Loyola.

Os temores sobre a situação fiscal do país estão refletidos nos preços dos ativos, tanto que o real é a moeda mais volátil e com maior desvalorização em 2020 — apesar do alívio desde a semana passada com o alinhamento entre Guedes e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, sobre as reformas, após desavenças recentes.

Leia também:
Moody’s sinaliza mudar nota de crédito se País não retomar ajuste fiscal em 2021
“Sem controle da dívida pública, reeleição é ilusão”, diz Luiz Fernando Figueiredo

Os receios de que a criação do novo programa social do governo, o Renda Cidadã, acabe levando a alguma flexibilização do teto de gastos não foram eliminados. O presidente Jair Bolsonaro acabou adiando a definição do programa para depois das eleições municipais.

“Temos grupos forte dentro do governo que estão defendendo aumento de gastos e o rompimento do teto”, diz Loyola.

As dúvidas sobre a preservação da âncora fiscal têm pesado sobre o Tesouro, que vem sendo obrigado a encurtar o prazo da dívida. “O encurtamento não é tão negativo do ponto de vista de custo, mas indica dificuldade para o financiamento no caso de um desastre fiscal´´, disse Loyola.

As incertezas, segundo o ex-presidente do BC, ainda são agravadas pelos sinais de uma segunda onda global da pandemia do coronavírus e pelas dificuldades políticas nos EUA antes das eleições presidenciais, o que exige cautela adicional do governo e do Congresso no Brasil.

“O momento é de o Congresso aprovar o orçamento de 2021 respeitando o teto e apontando para a responsabilidade fiscal.”

Newsletter InfoMoney
Informações, análises e recomendações que valem dinheiro, todos os dias no seu email:

Concordo que os dados pessoais fornecidos acima serão utilizados para envio de conteúdo informativo, analítico e publicitário sobre produtos, serviços e assuntos gerais, nos termos da Lei Geral de Proteção de Dados.
check_circle_outline Sua inscrição foi feita com sucesso.
error_outline Erro inesperado, tente novamente em instantes.

The post Brasil arrisca ter fuga de capitais com crise fiscal, diz ex-presidente do Banco Central appeared first on InfoMoney.

Veja também:

Brasil possui 726 parques eólicos espalhados em 12 estados que asseguram o abastecimento de energia do País

A previsão é que a eletricidade gerada pela força dos ventos alcance cerca de 20% de abastecimento da demanda no segundo semestre de 2021 São...

Limão com Mel celebra retorno de Edson Lima com DVD especial

Os fãs da tradicional banda já podem comemorar! No próximo dia 18 de novembro, o Recife vai receber um time de peso para a...

“Se Deus quiser, hoje será a última sessão”, diz Caio Ribeiro sobre quimio

O jornalista usou as redes sociais, nesta terça-feira (21), para publicar a foto de um terço e torcer pela sua última sessão de quimioterapia....

Recentes