Menu

Buscar notícias

O que você procura?

Digite um assunto e pressione Enter para buscar no site.

← Página inicial

Saude

Mais de 60% dos municípios brasileiros falham em alcançar a meta de vacinação contra o sarampo, revela o Ministério da Saúde

Mais de 60% dos municípios brasileiros falham em alcançar a meta de vacinação contra o sarampo, revela o Ministério da Saúde

Dados mostram baixa cobertura da segunda dose da tríplice viral em 3.589 municípios; país registrou 52 casos importados de sarampo em 2026, a maioria entre pessoas não vacinadas ou com imunização incompleta

Nos primeiros oito meses de 2026, cerca de 65% dos municípios do Brasil não conseguiram atingir a meta de vacinação contra sarampo, caxumba e rubéola. Informações do Ministério da Saúde indicam que 3.589 das 5.570 cidades do país apresentaram uma cobertura média inferior a 95% para a segunda dose da vacina tríplice viral, um percentual considerado essencial para assegurar uma proteção coletiva efetiva contra o sarampo. A situação gera apreensão entre as autoridades de saúde, especialmente com o aumento no registro de novos casos da doença no território nacional.

Os dados coletados entre janeiro e agosto revelam uma discrepância significativa entre a administração da primeira e da segunda dose do imunizante. A cobertura nacional da primeira dose alcançou 94,66%, enquanto a da segunda ficou em apenas 79,78%, mais de 15 pontos percentuais abaixo da meta estabelecida pelo Ministério da Saúde.

Essa realidade é alarmante, pois completar o esquema vacinal é crucial para aumentar a proteção individual e minimizar o risco de surtos. Além disso, a vacinação oferece proteção indireta àqueles que não podem ser imunizados devido a contraindicações médicas.

A vacina tríplice viral está disponível gratuitamente nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo o calendário nacional, a primeira dose deve ser administrada aos 12 meses de idade e a segunda aos 15 meses. Adolescentes e adultos que não completaram sua vacinação também devem buscar atendimento nas unidades de saúde para atualizar seu esquema vacinal conforme as orientações oficiais.

Desigualdade na vacinação: disparidades entre municípios

Os dados evidenciam grandes disparidades entre as diversas cidades brasileiras.

Adelândia, localizada em Goiás, destacou-se com a maior média acumulada de cobertura vacinal durante o período analisado, ultrapassando os 100%. Esse índice elevado pode ser atribuído ao uso de estimativas populacionais para calcular a cobertura vacinal, além da inclusão na contabilização de indivíduos não considerados na população-alvo.

Por outro lado, Serra Azul, no interior paulista, apresentou um índice alarmante de apenas 6,78%, destacando-se como uma das situações mais críticas identificadas na pesquisa.

Entre as capitais brasileiras, Curitiba se destacou com uma cobertura média superior a 95% entre janeiro e agosto deste ano.

Em contraste, Belém, no Pará, registrou o menor percentual entre as capitais, com apenas 79,29%.

O mês de fevereiro foi marcado pela pior média nacional durante o período em análise, com uma cobertura totalizando apenas 82,70%.

Essas variações ressaltam a urgência de implementar estratégias específicas que ampliem o acesso à vacinação e identifiquem crianças que estejam com doses atrasadas nos municípios com índices mais baixos.

A segunda dose: um desafio persistente

A dificuldade em concluir o esquema da vacina tríplice viral continua sendo um desafio significativo no Brasil.

Embora a cobertura da primeira dose esteja próxima da meta desejada, uma quantidade considerável de crianças não recebe a segunda aplicação dentro do intervalo recomendado.

Neste ano de 2026, a cobertura nacional da segunda dose permaneceu em 79,78%, bem distante dos 95% necessários para garantir uma proteção robusta contra o sarampo na população.

Segundo os dados divulgados pelo Ministério da Saúde, Buriti de Goiás obteve a maior cobertura para a segunda dose entre os municípios brasileiros.

Em contrapartida, Capela de Santana, no Rio Grande do Sul, apresentou um índice alarmante de apenas 1,98% na cobertura vacinal.

Vale ressaltar que essa problemática não se limita à tríplice viral; outros imunizantes também têm mostrado coberturas aquém das metas nacionais. A vacina contra febre amarela registra apenas 77,80% e o reforço contra esta mesma doença está em 76,33%. Já a segunda dose contra varicela apresenta uma cobertura de somente 79%.

Historicamente, os desafios enfrentados pela vacinação no Brasil vêm desde antes da pandemia de Covid-19.

Entre os anos de 2015 e 2026, o melhor resultado registrado para a cobertura média da segunda dose da tríplice viral ocorreu em 2019 com um índice atingindo 81,55%.

Durante a pandemia houve uma drástica queda na procura por serviços relacionados à imunização. Em 2021 foi observado um percentual mínimo histórico: apenas 53,20% de cobertura.

Apesar dos sinais de recuperação nos anos subsequentes, os índices ainda permanecem abaixo do patamar necessário para cumprir as metas vacinais estabelecidas.

Brasil registra casos importados de sarampo

A baixa taxa de vacinação torna-se ainda mais relevante frente à circulação internacional do vírus do sarampo. Esta enfermidade é altamente contagiosa e pode resultar em complicações severas principalmente em crianças pequenas e indivíduos com sistema imunológico comprometido.

Até o dia 5 de outubro de 2026 foram confirmados no Brasil um total de 52 casos importados da doença sem relatos associados a óbitos até então.

O estado de São Paulo registrou a maioria dos casos com um total de 41 ocorrências; seguido pelo Amazonas com dez casos e pelo Rio de Janeiro com um caso isolado.

A cidade mais afetada foi São Paulo capital que contabilizou sozinha 37 casos confirmados—o maior número registrado entre todos os municípios brasileiros.

Segundo informações fornecidas pela Secretaria Estadual da Saúde paulista, dos pacientes diagnosticados no estado até agora, pelos menos 37 não haviam recebido qualquer vacina ou estavam com seu esquema vacinal incompleto.

Esse grupo representa cerca de 90% dos infectados evidenciando assim como é vital manter altas taxas vacinais para reduzir riscos à saúde pública relacionada ao sarampo.

Embora o Brasil tenha recuperado oficialmente seu status como país livre da transmissão endêmica do sarampo concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), os registros recentes demonstram que o risco reintrodução do vírus ainda é latente devido aos casos importados detectados recentemente.

A eliminação da transmissão endêmica não implica que o sarampo tenha desaparecido completamente do Brasil; pessoas contaminadas em outros países podem levar o vírus para comunidades onde as taxas vacinais são insuficientes.

Avanço preocupante do sarampo nas Américas

A situação internacional também gera preocupação nas autoridades sanitárias brasileiras.

Informações provenientes da Organização Pan-Americana da Saúde indicam que Estados Unidos, Guatemala,México , Peru e Canadá concentram mais de 95% dos registros atuais de sarampo na América Latina.

O aumento desses casos nos países vizinhos ressalta ainda mais a necessidade urgente por vigilância epidemiológica intensa e manutenção das coberturas vacinais elevadas.

O Brasil já enfrentou uma grave crise em relação ao sarampo em 2019 quando aproximadamente vinte mil casos foram confirmados no país.

As campanhas realizadas posteriormente contribuíram significativamente para diminuir consideravelmente a circulação do vírus nos anos seguintes.

De acordo com os dados apresentados entre os anos dois mil e vinte três até dois mil e vinte cinco houve confirmação apenas quarenta três casos sem qualquer morte registrada.

Entretanto ,o aumento das notificações neste ano aliado à baixa taxa na aplicação da segunda dose em milhões cidades reforça ainda mais a importância urgentemente intensificar as campanhas vacinais.

O Ministério recomenda que pais ou responsáveis verifiquem as condições das vacinações das crianças e busquem as unidades essenciais caso haja doses pendentes .

Além disso ,é fundamental atualizar o esquema vacinal também para adolescentes ,adultos e profissionais ligados à saúde conforme as diretrizes previstas no calendário nacional .

Com quase dois terços das cidades brasileiras apresentando índices abaixo das metas exigidas,o desafio principal reside em garantir que essa oferta gratuita das vacinas se converta numa real cobertura efetiva permitindo assim que toda população receba todas as doses necessárias evitando novos surtos futuros .

Tópicos relacionados

Últimas notícias