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Câncer de mama masculino: cerca de 30% dos diagnósticos já revelam metástase

Câncer de mama masculino: cerca de 30% dos diagnósticos já revelam metástase

Levantamento da Sociedade Brasileira de Radioterapia identificou 2.126 registros da doença em homens entre 2020 e 2023 e aponta a importância de reconhecer os sinais precocemente

O câncer de mama não afeta apenas mulheres; homens também podem ser diagnosticados com a doença, frequentemente em fases mais avançadas. Um estudo conduzido pela Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT), utilizando dados dos Registros Hospitalares de Câncer (RHC) do Instituto Nacional de Câncer (Inca), revelou que entre 2020 e 2023 foram registrados 2.126 casos da enfermidade em homens, dentro de um total superior a 163 mil diagnósticos analisados.

Esse alerta, conforme uma reportagem da Agência Brasil, é parte das iniciativas de conscientização do Outubro Rosa e enfatiza a relevância de buscar atendimento médico ao perceber alterações nas mamas. Apesar de sua raridade entre os homens, o câncer pode se agravar severamente quando diagnosticado tardiamente.

O Inca projeta que entre os anos de 2026 e 2028 surgirão aproximadamente 781 mil novos casos de câncer no Brasil anualmente. Desses, 78.610 serão relacionados ao câncer de mama, representando cerca de 10% dos diagnósticos previstos para o país a cada ano.

Estágio da doença no diagnóstico

Conforme os dados analisados pela SBRT entre 2020 e 2023, apenas 1,30% dos casos de câncer de mama foram registrados em homens. Para as mulheres, essa forma de câncer é a mais prevalente, contabilizando 30% dos novos diagnósticos estimados sem considerar os tumores cutâneos não melanoma.

A pesquisa também avaliou em que estágio a doença foi diagnosticada. A classificação varia do estágio 0 ao IV, levando em conta tanto a extensão do tumor quanto sua disseminação.

Dentre os homens com estágios documentados, observou-se que 16,82% estavam no estágio 0; 3,41%, no estágio I; 17,48%, no estágio II; 32,34%, no estágio III; e finalmente, 29,95%, no estágio IV. Para as mulheres, os índices foram respectivamente: 12,78%, 5,45%, 20,20%, 35,15% e 26,42%.

Os estágios III e IV representam as situações mais graves da doença e somam juntos 62,29% dos casos masculinos e 61,57% dos femininos. A maior discrepância se observa no estágio IV — onde a metástase já se instaurou — com taxas de 29,95% nos homens contra 26,42% nas mulheres.

Sinais de alerta para os homens

Wilson José de Almeida Jr., radio-oncologista e presidente da SBRT ressalta a necessidade urgente de aumentar o conhecimento sobre o câncer de mama entre o público masculino.

Denise Ferreira, rádio-oncologista e diretora de comunicação da mesma entidade, aponta que a falta de informação é um fator que atrasa a busca por atendimento médico. Como os homens possuem menos tecido mamário em comparação às mulheres, tumores podem afetar áreas adjacentes como pele e músculos do tórax mesmo quando ainda são pequenos.

Alguns sinais que devem ser investigados incluem:

  • Presença de nódulos na região mamária;
  • Modificações no mamilo;
  • Secreção pelo mamilo com sangue.

O câncer masculino representa menos de 1% do total dessa patologia. Fatores como menor quantidade de tecido mamário e menor exposição ao estrogênio — hormônio ligado à formação da maioria dos tumores mamários — ajudam a explicar essa diferença na incidência.

Além disso, mutações genéticas hereditárias, obesidade e histórico familiar podem contribuir para um aumento do risco dessa condição.

Tratamento depende das características do tumor

Conforme Denise Ferreira explica, a cirurgia geralmente é o tratamento primário para o câncer localizado tanto em homens quanto em mulheres. Dependendo das características específicas do tumor encontrado, esse procedimento pode ser complementado por terapia hormonal, quimioterapia ou radioterapia.

A radioterapia é frequentemente recomendada após intervenções cirúrgicas para minimizar as chances de recidiva na área tratada. A decisão sobre seu uso dependerá do estágio da doença bem como das características individuais do paciente.

A médica enfatiza ainda que a taxa de sobrevivência varia conforme o estágio em que o câncer é diagnosticado além do tipo tumoral e da resposta ao tratamento aplicado. Dados indicam uma taxa relativa superior a 80% em cinco anos para homens diagnosticados com câncer de mama ao considerarmos todos os estágios. Quando restrito à mama, esse índice pode ultrapassar os 95%.

Embora muitos diagnósticos ocorram em fases avançadas entre os homens, existem opções terapêuticas disponíveis. Reconhecer sinais precoces e buscar assistência médica rapidamente são cruciais para melhorar as perspectivas clínicas.

Diagnóstico de câncer de mama em mulheres jovens

Uma outra pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) analisou cerca de 118 mil mulheres diagnosticadas com câncer mamário entre os anos de 2020 e 2023 com base nos dados dos Registros Hospitalares de Câncer.

Entre aquelas com idade até 39 anos, somente 14,4% receberam diagnóstico nos estágios iniciais (0 ou I), enquanto impressionantes 85,6% foram identificadas nos estágios II ou superiores (III ou IV). O estágio II também pode incluir casos considerados iniciais dependendo das particularidades da patologia.

Para mulheres sem fatores conhecidos que aumentem significativamente o risco da doença, organizações médicas brasileiras recomendam iniciar rastreamento através da mamografia a partir dos quarenta anos.

Por outro lado, aquelas com riscos elevados – como portadoras de determinadas mutações genéticas ou relevantes históricos familiares – podem demandar acompanhamento personalizado e exames iniciados antes dessa idade conforme avaliação médica específica.

Juliano Rodrigues Cunha, cirurgião oncológico especialista em mastologia e diretor responsável pela comunicação na SBCO destaca a importância crucial em investigar alterações persistentes nas mamas mesmo antes do período recomendado para rastreamento na população considerada habitual risco elevado.

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