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Insônia: descubra o momento em que a falta de sono se transforma em um transtorno

Despertar durante a madrugada, cansaço persistente e dificuldade para adormecer podem indicar insônia crônica; especialistas explicam os sinais de alerta, os tratamentos e os riscos à saúde
Sentir-se fatigado ao acordar, ter dificuldades para pegar no sono ou acordar repetidamente durante a noite são sinais que merecem atenção. Quando esses sintomas se tornam recorrentes e começam a impactar a rotina diária, podem ser indicativos de insônia, um transtorno do sono que requer avaliação e, em certos casos, tratamento especializado.
Em uma reportagem veiculada pelo Fantástico, profissionais da saúde abordaram como reconhecer os sinais do problema, quais fatores podem prejudicar o descanso e os principais métodos de tratamento disponíveis. A privação de sono pode afetar o humor, a energia, a produtividade e até mesmo a saúde geral.
A dificuldade para dormir pode resultar em cansaço durante o dia e em preocupações sobre a possibilidade de passar mais uma noite sem o descanso necessário. Assim, quando os sintomas se mantêm por um período prolongado, é fundamental investigar suas origens.
Quando a falta de sono se torna uma doença
Vitória, uma artista plástica e designer de joias de 30 anos, enfrenta problemas para dormir desde sua infância. A leveza do seu sono e os frequentes despertares têm impacto direto em sua disposição e estado emocional.
“Sinto-me exausta. É como se toda a minha energia tivesse sido drenada”, desabafa. Ela menciona que, ao acordar durante a madrugada, tem dificuldade para voltar a dormir devido aos pensamentos sobre as tarefas pendentes ou as obrigações que não conseguiu cumprir.
Patrick, um reabilitador físico de 35 anos, também lida com noites mal dormidas. Ele relata que frequentemente verifica o relógio à noite, preocupado em não perder o horário de levantar pela manhã. Em certa ocasião, o cansaço foi tão extremo que ele chegou a fechar os olhos enquanto atendia um paciente.
O psiquiatra Alexandre Azevedo, do Laboratório do Sono da Universidade de São Paulo (USP), explica que a insônia pode se manifestar através da dificuldade em iniciar o sono, dos despertares noturnos ou do despertar muito cedo, desde que esses problemas causem prejuízos ao longo do dia.
Três noites por semana acendem o alerta
A frequência e a duração dos sintomas são fundamentais na identificação da insônia crônica. Segundo Alexandre Azevedo, quando um indivíduo apresenta dificuldades para adormecer ou retornar ao sono, acompanhadas de fadiga diurna em pelo menos três noites por semana durante três meses consecutivos, é preciso considerar um quadro de insônia.
Nesses casos, recomenda-se buscar assistência médica para investigar as causas subjacentes e avaliar o tratamento mais adequado. A avaliação profissional também possibilita identificar outros fatores que possam estar interferindo na qualidade do sono.
A persistência dos sintomas não deve ser encarada como algo normal da rotina diária. As dificuldades para descansar podem comprometer atividades cotidianas e impactar negativamente tanto o desempenho profissional quanto a qualidade de vida geral.
Telas e ansiedade podem afetar o sono
Diversos fatores podem contribuir para problemas relacionados ao sono, entre eles estão a exposição à luz artificial e o uso excessivo de dispositivos eletrônicos durante a noite. Celulares, tablets e computadores podem manter o cérebro ativo em momentos em que o corpo deveria estar se preparando para relaxar.
O organismo humano possui um relógio biológico que regula os ciclos naturais entre claro e escuro. A exposição inadequada à luz em horários impróprios pode perturbar esse mecanismo natural e dificultar o início do sono.
Além disso, a ansiedade tende a agravar essas questões. No caso de Patrick, observou-se que sua expectativa de ter outra noite ruim elevava sua preocupação antes mesmo dele ir para a cama.
“Você fica ansioso todas as noites sobre quão ruim será seu sono”, comentou Alexandre Azevedo em conversa com Patrick. Essa preocupação constante pode transformar o momento destinado ao descanso em uma fonte adicional de estresse.
Medicamentos não devem ser a primeira opção
Embora muitas pessoas busquem medicamentos como solução para dormir melhor, especialistas ressaltam que o tratamento da insônia geralmente inicia com mudanças comportamentais e ajustes nos hábitos diários.
“As intervenções medicinais não são priorizadas antes das medidas comportamentais”, afirma Alexandre Azevedo. Ele explica que os fármacos podem ser considerados apenas quando as estratégias iniciais falham em produzir resultados satisfatórios após avaliação profissional adequada.
Entre as recomendações estão manter horários regulares para acordar; aumentar a exposição à luz natural durante o dia; evitar telas à noite; além de reduzir o consumo de cafeína no final da tarde e usar a cama exclusivamente para dormir.
Quando os sintomas persistem apesar das mudanças implementadas na rotina diária, é crucial procurar orientação especializada ao invés de tentar resolver apenas com ajustes pessoais ou automedicação.
Terapia auxilia na modificação de hábitos e pensamentos
Para aqueles que enfrentam insônia persistente, uma abordagem recomendada é a terapia cognitivo-comportamental voltada especificamente para esse distúrbio. Este tratamento visa mudar comportamentos indesejados, pensamentos negativos e reações emocionais que dificultam um bom descanso.
A psicóloga Kidsay Souza esclarece que essa terapia aborda como os pacientes interagem com suas camas, os pensamentos que surgem na hora do sono e as ansiedades associadas à necessidade de adormecer.
O acompanhamento terapêutico ajuda na identificação dos padrões que podem perpetuar as dificuldades para dormir e no desenvolvimento de estratégias eficazes para superá-los. A escolha do tipo de tratamento leva em consideração as particularidades individuais dos pacientes juntamente com as avaliações dos profissionais da saúde envolvidos.
Insônia também está ligada a riscos à saúde
Os impactos negativos resultantes da má qualidade do sono vão além da simples sonolência ou irritabilidade; eles incluem uma queda significativa na produtividade. O sono profundo desempenha um papel crucial nos processos vitais do cérebro, incluindo mecanismos naturais responsáveis pela eliminação das substâncias tóxicas acumuladas ao longo do dia.
Interrupções frequentes no período de descanso podem prejudicar esses processos essenciais. Por essa razão, problemas persistentes relacionados ao sono têm sido objeto de estudos focados na saúde neurológica.
Além disso, há uma associação entre insônia e enfermidades cardiovasculares. O neurologista Diego Carvalho destaca a relação entre esse distúrbio e um aumento significativo no risco de acidente vascular cerebral (AVC) – popularmente conhecido como derrame – assim como problemas cardíacos variados.
Os especialistas enfatizam a importância de não desconsiderar sintomas duradouros. Embora acordar cansado ocasionalmente seja comum, sentir fadiga constante ou enfrentar dificuldades regulares para dormir são razões válidas para buscar avaliação médica imediata.









